Eu e a Net… (internet)

 

Nos últimos 10 anos, nossa relação evolui significantemente… nos tornamos parceiras, sem ela eu não vivo e ela tb não sobrevive sem mim. – Romântico isso, né?!
 
Atualmente o climax da nossa relação vem sendo o TWITTER… sim sim sim… eu me rendi ao twitter. Mas não teria como isso não acontecer, principalmente depois da argumentação convincente da Fernanda sobre o mesmo:
 
“Lê, vc tem que fazer, todo mundo tem! O Lula tem, o Obama tem… até o Justin tem!!!”
 
Depois disso não pude evitar… passei a seguir e ser seguida!
 
Sim, a quantidade de coisa inútil é imensa, mas confesso que tenho seguido algumas pessoas interessantes… e pra quem gosta de novidades, notícias em tempo real, ficar pertinho do seu ídolo (o Wagner moura têm, acho digno), vale a pena dar uma olhadinha no que pega nesse twitter…
 
Agora, irei postar a mensagem no blog e o Twitter vai dizer aos meus seguidores que eu estou fazendo… ahauhauhaahuahuaua
 
E vc,
 
What are you doing???
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Não durmo…

Insónia

 

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite 
– Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos…
Tantos versos…
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê…

Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!

Ó madrugada, tardas tanto… Vem…
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta…
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!

Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada…
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.

Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exatamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exatamente. Mas não durmo.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

“retrato de Iaiá”

 

Essa é a Iaiá

Ela nasceu do Amor, pelo Amor, em busca do Amor… enfim ela nasceu apaixonada!
E ela se cria em busca dessa paixão! Amando tudo e todos ao seu redor…
Claro que ela é bem atrapalhada e no meio do caminho acontecem alguns imprevistos, às vezes ela acaba se metendo em algumas confusões, às vezes é traída pelo seu próprio coração O/
Ela é aquele tipo de “menina” que tropeça na própria sombra, e acredite, ela cai!!!
Mas quando menos se espera ela dá um pulo e salta em direção de novas emoções…
Essa é a Iaiá!   >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> 
Eu admiro essa “garotinha”!
Musica que inspirou a construção e o nome da personagem:
Retrato pra Iaiá
(Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo)
Iaiá, se eu peco é na vontade
de ter um amor de verdade
Pois é que assim em ti eu me atirei
e fui te encontrar
pra ver que eu me enganei…

Depois de ter vivido o óbvio utópico,
te beijar, e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural…
Eu fui pra aí te ver, te dizer:

Deixa ser, como será!
Quando a gente se encontrar
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar…
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar…

De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã
Fui saber tão longe,
mesmo você viu antes de mim
que eu te olhando via uma outra mulher
E agora o que sobrou?
– Um filme no close pro fim

Num retrato-falado eu fichado,
exposto em diagnóstico
Especialistas analisam e sentenciam: oh não!

Deixa ser como será!
Tudo posto em seu lugar
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser, como será!
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê.