no recreio

“essa aula é minha hora do recreio!”

“[…] Em caso de poemas difíceis use a dança. A dança é uma forma de amolecer os poemas endurecidos no corpo. Uma forma de soltá-los das dobras dos dedos dos pés. Das vértebras dos punhos. Das axilas. Do quadril […]”
(Viviane Mosé)

Definitivamente esse foi o elogio mais delicioso que recebi após focalizar uma “dancinha”.

Todas as terça-feiras durante uma hora, vcs (minhas “alunas” dançantes) também me proporcionam essa “hora do recreio”!
Meu dia fica alegre, meu sorriso se abre, meu corpo flua, meu coração desacelera… Fico presente no aqui e agora.
Ofereço a vocês a melhor versão de mim mesma!

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No ano passado escrevi esse texto (abaixo), para minha monografia que seria sobre danças circulares, mas acabei por mudar tema e nunca voltei a mexer nele, mas nunca parei de dançar – a dança me mantém no meu eixo. a dança sou eu e é a minha paixão!

A Dança

“Quando eu nasci / eu já dançava” Mario de Andrade

A dança é a arte mais antiga que se conhece. Sempre se dançou. A dança, quando no seu surgimento, era uma atividade grupal, voltada para cerimônias religiosas de adoração aos deuses. Gravuras e pinturas de vários momentos da história da humanidade descrevem as divindades, que eram representadas por animais ou elementos da terra (sol, fogo etc); a dança também é citada na bíblia, como forma de “reverenciar” ao “Senhor”.
Também se dançou para colher, guerrear, em cerimônias fúnebres e de nascimento, ritos de iniciação etc.
Que todos os povos dançaram não há duvidas. Os povos possuem suas tradições, crendices e superstições que se transmitem através de lendas, contos, provérbios etc. As histórias desses povos também foram representadas por danças. Da-se as danças folclóricas.
As danças folclóricas existem em quase todos os países do mundo. E no inicio dos anos 60, Bernhard Woisen, viu nas danças dos povos a possibilidade de encontrar a sabedoria e uma forma mais orgânica de representar seus sentimentos.

Danças Circulares Sagradas

As Danças Circulares Sagradas reúnem antigas formas de expressão de diferentes povos e culturas. Somam-se a elas, hoje em dia, novas criações, coreografias, ritmos e significados próprios do homem inserido na realidade atual. Elas nos contam histórias curiosas e nos trazem significados variados de acordo com suas origens. Compartilham passos conhecidos por diversas nações e resgatam outros não menos criativos. Espalham a vida e a cultura de outras épocas.
Elas chegam de todas as partes do mundo trazendo aquilo que têm de mais belo, como as melodias delicadas dos pastores dos Bálcãs, os movimentos do preparo da terra nas danças da Bulgária, a alegria e os passos saltitantes dos Gregos, os rituais religiosos dos povos indianos e as tradições culturais dos ciganos. Dançadas em círculos em sua maioria, também são encontradas na forma de linha, cruz ou espiral. Mas é mesmo de mãos dadas, que a dança acontece.

O Sagrado na Dança

SAGRADO?
Esse termo é um tanto quanto estranho de início, pois ele é normalmente relacionado à religião.
Na verdade a dança se torna Sagrada a partir do momento em que os participantes entram em contato com sua essência. Assim percebemos que o Sagrado também passa a ser parte de nós, o que nos faz muito bem e nos aproxima de nós mesmos!
As danças foram denominadas Sagradas por Bernhard Wosien porque expressam e, nos fazem experimentar a sabedoria da alma dos povos e suas qualidades espirituais, e Wosien acrescenta também, que são “conteúdos da nossa própria alma”, pois temos esta prática impressa em nosso DNA.
Podemos afirmar que as emoções que surgem a partir do movimento proposto em cada dança, as mãos dadas no círculo e o apoio do outro na roda, ajudam a reconhecer o Sagrado que há em cada um de nós.

Bernhard Woisen

No início dos anos 60, Bernhard Wosien, bailarino clássico e coreógrafo alemão, procurava uma forma corporal mais orgânica de expressar seus sentimentos e se encantou pela espontaneidade da dança popular e a possibilidade de encontrar nelas a sabedoria dos povos ancestrais. Decidiu então, se aprofundar nessa forma inteira de trabalhar a expressão corporal, onde havia encontrado um estado espiritual pleno e um caminho para a unidade.
Seus primeiros passos foram em direção aos velhos costumes dos povos do leste Europeu, onde iniciou um trabalho de pesquisa das Danças Folclóricas Tradicionais. Seu interesse nas formas e nos símbolos o levou ao aprendizado do simbolismo e do significado dessas danças, muitas delas coletadas em aldeias e campos, onde pessoas simples dançavam juntas como uma forma de comunhão. Seu desejo então se transformou diante da possibilidade de manter vivas as raízes dessas danças que estavam sendo esquecidas, e, assim, resgatar o valor espiritual de cada uma delas. Neste trabalho, ele vivenciou a alegria, a amizade e o amor, tanto para consigo mesmo como para com os outros. Descobriu que a dança de roda possibilita uma comunicação sem palavras e mais amorosa entre as pessoas. Wosien somou a essas danças uma série de outras que foram coreografadas por ele, todas inspiradas no resultado de sua pesquisa.
Em 1977, conheceu Eileen e Peter Caddy, fundadores da comunidade escocesa da Fundação Findhorn (www.findhorn.org), e recebeu um convite para implantar nesta comunidade as danças de roda e as danças circulares européias. Surgia assim o movimento das Danças Circulares Sagradas, uma retomada das antigas formas de expressão de diferentes povos e culturas. Desde esta época, centenas de danças estão sendo incorporadas a esse conjunto de danças que se espalhou pelo mundo todo, estando hoje presente em mais de 20 países. Atualmente já existem muitos outros focalizadores espalhados por estes países e também muitas danças contemporâneas já foram incluídas neste cenário.

No Brasil

No Brasil, as danças começaram a ser difundidas no início da década de 80, no Centro de Vivências Nazaré (www.nazareuniluz.org.br), localizado em Nazaré Paulista, interior de São Paulo por Sarah Marriot. Sarah morava em Findhorn, comunidade escocesa, e a convite do Centro de Vivências Nazaré, trouxe toda sua experiência de educação holística da Comunidade de Findhorn e, como não poderia faltar, trouxe também as Danças Circulares Sagradas. A partir da década de 90, essas danças começaram a sair dali para o resto do país. Em 1994, Renata Ramos começou a oferecer cursos de Dança e ao mesmo tempo foi estreitando sua ligação com a Comunidade de Findhorn, possibilitando um intercambio maior na difusão das mesmas aqui no Brasil.
Um ano depois, na 1ª Clínica de Jogos Cooperativos, organizada por Fábio Otuzi Brotto e realizada na Universidade de São Paulo – CEPEUSP, as Danças Circulares Sagradas experimentaram sua expansão. Muitas pessoas perceberam que ali estava o início de um trabalho com grande potencial para trazer ao indivíduo uma consciência de si mesmo e do outro de uma forma bastante enriquecedora.

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